Tendências da Semana de Moda em Paris – Primavera/Verão 2019

Tendências da Semana de Moda em Paris – Primavera/Verão 2019

Podemos dizer isto aos amigos de Londres, Milão e Nova York, mas após os desfiles em Paris, a sensação foi da mudança de velocidade, tanto em termos de qualidade como de moda.

Inspirado pelas grandes dançarinas da atualidade e do passado, como Isadora Duncan ou Pina Bausch, o desfile da Dior centrou-se em torno de uma performance de dança motivadora e demoníaca do grupo da coreógrafa israelita Sharon Eyel. Na verdade, a dança distraía, muitas vezes, a atenção sobre as roupas, o que foi uma pena, já que esta foi a mais forte declaração de moda de Maria Grazia Chiuri até ao momento para a Dior.

Chiuri reformulou muitas das suas preferências – vestidos de deusa grega; abundantes casacos, vestidos de noite semitransparentes e saias rodadas. No entanto, tudo tornou-se, de certa forma novo, com motivos caleidoscópicos, padrões de pétalas enlameadas e cores desbotadas ondulantes. Além disso, os seus casacos, super leves, eram autênticos must-haves.

 

 

Outro sinal da sua crescente importância: o conceito de saia de malha sobre leggings que Chiuri inventou, esteve evidente em muitos desfiles em Milão e Nova York. Além disso, uma série de bolsas usadas sobre o ombro, ao estilo bandolier, serão sucessos de vendas infalíveis.

A Semana de Moda em Paris começou com alguns rumores que indicavam que, a italiana, estava com o seu mandato na Dior prestes a acabar. Mas, depois deste desfile corajoso e deslumbrante, muitos deixaram a gigante tenda onde ocorreu o evento, no hipódromo de Longchamp, convencidos de que não haverá nenhum desligamento.

A riviera romântica de Jacquemus, merece um pouco de respeito. Simon Porte Jacquemus é, sem dúvida, o jovem designer de maior sucesso comercial desta década, mas de alguma forma, ele desperta pouco interesse do júri local francês. O que parece injusto.

Jacquemus é um autodidata, não o produto de uma escola famosa de moda. Ele não está à procura de conceitos grandiosos. Sua moda é bastante pragmática, sexy e direta. Seu cast, claramente, ama suas roupas sensuais que valorizam o corpo, trabalhadas para celebrar a beleza. A deslumbrante Imaan Hammam, que abriu o desfile em um vestido curto assimétrico de deusa do cinema com franjas de um metro de comprimento, irradiava orgulho enquanto caminhava na passarela.

 

 

Vestidos em denim, sarongs com franjas em tons de trigo usados com camisetas brancas, e, especialmente, suas famosas camisas masculinas listradas de algodão foram transformadas em vestidos arrojados. Tudo foi relativamente simples, mas ainda, mais bem sucedido.

O designer nomeou sua coleção La Riviera, e essas roupas são perfeitas para a Riviera Francesa. Apresentado em duas passarelas brancas deslumbrantes no jardim da embaixada italiana, o desfile recebeu aplausos e teve um final festivo. Todas as modelos ficaram ao redor de Simon Porte nos degraus da bela mansão, e cinco dançaram na sacada do segundo andar.

Há uma expressão em francês: “c’est trois fois rien”, que significa que parece muito pouco. Mas enquanto o seu modo é enganosamente simples, é realmente muito bom mesmo assim.

A semana deve ter sido difícil para Anthony Vaccarello, diretor criativo da Saint Laurent, com seu antecessor muito mais famoso, Hedi Slimane, sendo mais uma vez o centro das atenções em Paris, já que ele fará sua estreia em sua nova casa, a Celine.

O cenário era magnífico, com uma gigantesca piscina de água negra de alguns centímetros de profundidade emoldurada de um lado por dez palmeiras todas brancas e brilhantes, e de outro pelo público em 100 metros de arquibancada, e ao sul, pela Torre Eiffel iluminada exatamente às oito horas da noite, dando sinal para o início do desfile.

Quanto às roupas, elas foram ocasionalmente excelentes, como os blazers brancos de risca de giz ou as jaquetas militares e os boleros de quatro bolsos ou, especialmente, as camisas brancas de princesa renascentista, de onde surgiram metros de punhos de renda.

 

 

Mas, boa parte dessa coleção parecia familiar, o smoking com punhos contrastantes, as intermináveis hot-pants, as túnicas de camurça inspiradas nos índios americanos, e as muitas versões de vestidos de chiffon com comprimento até o tornozelo, em preto transparente ou motivos fulvos. Difícil não notar quantas modelos do elenco pareciam tensas enquanto se concentravam fortemente para não cair na água escura.

O resultado ficou um pouco forçado, e de certo modo, não muito Saint Laurent. É difícil imaginar Yves apreciando. O desfile não foi ajudado pela ensurdecedora trilha sonora industrial, que soava como se alguém estivesse trancado na sala de máquinas de uma “Estrela da Morte” em ruínas.

Parece que vender uma parte da sua empresa a terceiros não afetou Dries Van Noten, que apresentou uma coleção verdadeiramente bem estruturada em uma ensolarada tarde em Paris.

designer misturou active sport com alta costura, como no look que abriu o desfile, onde atou com cordas de escalada calças enroladas feitas de tecido de paraquedas, que combinou com lantejoulas brilhantes cor de limão, que pareciam uma plumagem rara. A modelo que vestia este look usava um solidéu feito de microplumas, tal como muitas outras, o que aumentava sensação de sofisticação moderna.

E também misturou roupa de trabalho com sedas sofisticadas com grande audácia, combinando um casaco noturno hipster Grande Dame com saias assimétricas e sarongs com gráficos ousados de riscas óticas. Embora talvez o seu look mais deslumbrante tenha sido um trench coat virado do avesso, finalizado com pinceladas e manchas em amarelo gema de ovo, azul Yves-Klein e preto.

 

 

Van Noten é também um excelente colorista. Correndo o risco de exagerar um pouco, é possivelmente o misturador de cores mais seguro desde Yves Saint Laurent. Algo que é evidenciado, por exemplo, no seu look mais simples, um casaco de trabalho em algodão grosso e muito masculino, feito num laranja amargo perfeito e, mais uma vez, amarrado com uma corda de escalada e botões. E, precisamente quando se pensava que já era demasiado, entrou na passarela o terno com o melhor corte da temporada, um blazer masculino combinado com enormes calças soltas, lânguido, mas autoritário.

“Não há nostalgia pelo ontem nem fixação no amanhã”, disse Van Noten, que parece uma década mais jovem do que os seus 60 anos. Um pouco de jardinagem no seu famoso jardim privado nos arredores de Antuérpia e alguns dias ensolarados na sua casa na Costa Amalfitana, onde crescem os melhores limões da Europa.

Na primeira fila, estava um radiante Marc Puig, CEO do Grupo Puig, que adquiriu o controle da casa de Van Noten nesta primavera. “Se gostei do desfile? Claro. Não poderíamos estar mais felizes com Dries. É um excelente investimento e ele é um grande designer“, disse Puig.

Até breve!

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