Semana de Moda em Paris – Off White/Loewe/Issey Miyake

Semana de Moda em Paris – Off White/Loewe/Issey Miyake

Ninguém aprendeu moda tão rápido como Virgil Abloh, que chegou a Paris há dez anos, como um neófito, a reboque de Kanye West. Hoje, há motins cada vez que apresenta um desfile para a sua ultra-popular marca Off-White.

Foi necessário forçar a passagem para chegar ao seu desfile, perto de La République. Um esquadrão de agentes de segurança maciços e forças paramilitares tiveram que formar um corredor para permitir que os convidados passassem entre a multidão de fãs delirantes.

No interior, havia literalmente um engarrafamento de compradores, dada a elevada demanda por qualquer produto com um logotipo Off-White. Quinze minutos antes do início do desfile, os paparazzi enlouqueceram como um cardume de piranhas, fotografando as estrelas de futebol Dani Alves, Neymar Junior e a atriz Bruna Marquezine.

As roupas, lideradas por uma abertura a cargo da dupla composta por Bella Hadid e Kendall Jenner em minissaias e camisas brancas, com um espetacular logotipo em forma de flecha nas costas de Bella.

Uma abertura em branco total para este desfile (tal como no desfile de estreia de Virgil Abloh na Louis Vuitton, da qual é criador das coleções masculinas): vestidos ao estilo Southern Belle, seguidos por vestidos cocktail com mangas em forma de cogumelo ou vestidos manteaux cortados logo abaixo do quadril. Houve também, no entanto, alguns vestidos assimétricos com cortes absurdos.

 

 

Gradualmente, a coleção ganhou cor, incluindo um tom de limão amargo. Inicialmente, senhoras da Bahia, com muitas rendas e depois roupa esportiva – bodysuits e coletes de nylon com capuz. Depois, apareceram os vestidos em azul menta. Nesta colaboração com a Nike, que será apresentada pela marca esportiva na próxima primavera, a capacidade de Virgil Abloh combinar mensagem e moda, sucesso comercial e cool foi particularmente impressionante.

O criador transformou os seus emblemáticos sapatos de plástico em novos sapatos de salto alto. Frequentemente, foram as ideias mais simples que funcionaram melhor, como os clássicos casacos jeans, com cores desbotadas e detalhes metálicos no pescoço.

Abloh intitulou o seu desfile de Track and Field (Atletismo), embora o pudesse ter batizado de Go Kart, visto que decorreu num parque de estacionamento no 11ème arrondissement. Enquanto as modelos desfilavam, as suas imagens eram projetadas em telões. Um relógio da Fórmula 1 cronometrou todo o evento.

A ascensão de Abloh no mundo da moda tem sido meteórica. Com um talento modesto e clássico, o estilista converteu-se numa estrela da internet, do Instagram e da Moda.

A marca espanhola, Loewe, apresentou mais um desfile memorável assinado pelo diretor criativo norte-irlandês, Jonathan Anderson.

Apresentado, como é de costume, dentro da UNESCO, o espaço se dividiu em meia dúzia de cômodos. Notavelmente, uma galeria de arte do início dos anos 60 em Londres, onde as pessoas têm um fio condutor, curtindo a ideia de criar e experimentar, explicou Anderson.

Uma coleção cinética, na qual quase todos os looks tinham fragmentos, cordas e franjas pendurados; enquanto penas brotavam dos tornozelos, pulsos e ombros. E, estranhamente para um Ulsterman, meia dúzia de combos de penas em verde, branco e laranja, as cores da bandeira irlandesa. As modelos desfilaram perto de uma escultura do artista italiano Lara Favarett, de duas escovas de lava-jato de grandes dimensões, que giravam sobre placas de metal. Um exemplo perfeito da arte cinética, que começou na década de 20, e ressurgiu nos anos 60.

 

 

Cada espaço era diferente, refletindo a falta de um tema único nas roupas. Uma das salas continha 35 toca-discos da Dansette, e um Adonis loiro e bronzeado de calça de marinheiro branco e sem camisa passeava trocando álbuns como um DJ do Blow Up. Cada espaço incluía várias versões de cestos em forma de concha, feitos de madeira e varas de salgueiro, transformados em moluscos feitos à mão pelo irlandês Joe Hogan. Eles também ajudaram a inspirar uma ótima nova linha de bolsas.

Bolsas em forma de concha em pele de cobra e alça bege; totes de palha de grandes dimensões com o logo da Loewe em couro, e algumas malas enormes em tonalidades primárias. A coleção foi marcante. De pijamas de seda esvoaçantes na cor azul com plumas, a vestidos mouriscos compostos por enormes extensões de camurça, ou um extraordinário vestido assimétrico de retalhos horizontais listrado.  Tudo ancorado por uma bela série de botas envoltas em laços e fivelas feitas na camurça áspera da terra que Anderson transformou no material de culto da Loewe.

“Totens num espaço cinético. O trabalho artesanal é um dos DNAs dessa marca. Não creio que devemos ser impacientes e irmos aqui e acolá. Para mim, é uma marca de couro, e trabalhei muito para levar as malas ao nível que deveriam ter”, disse Anderson nos bastidores.

“Roupas com movimento, fluindo de lado para o outro, como alguém correndo atrás de um ônibus. Uma celebração do belo e sensual”, concluiu o irlandês do norte, cujo convite foi uma imagem desbotada do túmulo do mais famoso irlandês exilado em Paris, Oscar Wilde. Coberto de marcas de beijos em vermelho.

A arte de Favaretto é considerada como um comentário sobre o custo e a casualidade da vida moderna; a moda de Anderson é exultante nisso.

Golas que inflam e voam ao redor do pescoço, cantos de saias torcidos em espirais, nós que crescem em um ombro, blusas plissadas, uma bolsa que escorrega pela cabeça para se transformar em um chapéu… Issey Miyake inventou as roupas-esculturas.

A marca japonesa revelou durante o desfile, um material inovador, o “Dough Dough”, que parece prometer um futuro brilhante em nossas sociedades em perpétuo movimento. Este tecido é feito de polietileno sem ser tratado com vapor, o que lhe permite manter toda a sua flexibilidade. Ao contrário do que se pode pensar, este algodão com um efeito de seda brilhante não contém fio de ferro.

“É como massa de modelar. Depois de me concentrar por cinco anos em materiais muito técnicos, como o Steam Stretch, eu queria encontrar a sensação do toque e do trabalho manual que desapareceu em nosso mundo tecnológico. Isso dá liberdade total para quem veste a roupa, dando a ela a oportunidade de criar a forma que ela quiser”, explicou Yoshiyuki Miyamae, responsável pelo estilo da marca desde 2011.

 

 

Saias e blusas com cortes básicos, como simples quadrados planos, tomam forma quando estão no corpo da mulher, que pode franzir, amassar, dobrar e esticar à vontade, com as próprias mãos. O estilista, portanto, propôs uma série de vestidos, saias e pequenos tops monocromáticos, colocados em suspensórios, cujas formas mudavam de acordo com as modelos.

“Por enquanto, os acessórios oferecem mais possibilidades, como os chapéus e as bolsas, porque você pode realmente obter todas as formas que deseja, dobrando ou levantando uma borda, por exemplo”, explica o designer, que deseja continuar as suas explorações em torno deste novo material em suas coleções futuras. “Eu gostaria de desenvolver este mesmo tipo de material maleável em couros e outros tecidos”, concluiu.

Até breve!

 

 

 

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