Quem fez as minhas roupas?

Quem fez as minhas roupas?

Se você não estiver informado, o consumo cego continuará…

Disse Mariana Rodrigues, fundadora da Alinhavo, uma plataforma, em vias de se tornar uma aplicação, para tornar os consumidores mais conscientes.

Aos 18 anos, Mariana Rodrigues, hoje com 22, decidiu deixar de comprar roupa cujo processo de produção fosse contra os seus valores. “Queria apenas vestir roupa que fosse ética, em termos humanos e ambientais”, conta.

Mas a opção de tomar decisões informadas revelou-se difícil, porque, na maioria das vezes, inalcançável, uma vez que as marcas não disponibilizavam a informação que procurava. Afinal quem sabe onde foi feito aquela camisa que está vestindo? Quanto recebeu o trabalhador por tê-la feito? Que idade ele tinha? Foram usados produtos de origem animal?

“O consumidor comum não tem ferramentas para tomar decisões que não são informadas”, constatou Mariana.

Foi com o intuito de pedir às marcas para disponibilizar essa informação que ela e uma amiga fundaram a plataforma Alinhavo. O que agora é um projeto de sensibilização e de informação na Internet (especialmente ativo no Facebook) e, em alguns eventos. Brevemente será um aplicativo para smartphones, com informações sobre as marcas.

Há um objetivo em primeiro lugar: “Fazer com que os consumidores estejam conscientes sobre o que estão comprando e o impacto que essa compra tem”. Mudar comportamentos pode ser uma consequência disso: “Se possível, fazer com que comprem de forma mais sustentável, pois, se não estivermos informados, o consumo cego continuará”, afirma a fundadora.

Mas nunca este aplicativo ou a equipe lhe dirá o que é bom ou o que é ruim, pois há muitas variáveis para definir aquilo que é a sustentabilidade no vestuário. “E o consumidor terá a oportunidade de escolher, mediante as informações prestadas, o que faz mais sentido”, concretiza Mariana.

O trabalho, voluntário, é feito por oito jovens, entre os 19 e os 30 anos. Formados em Informática, Design e Comunicação. Mariana é licenciada em Matemática Aplicada à Computação. Ninguém é da área da moda, o que serve o propósito de se apresentarem “como uma equipe de consumidores para consumidores”. E procuram-se mais voluntários.

A Alinhavo conta com o apoio da associação ambientalista Zero, da Academia Cidadã, do Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral e da Fashion Revolution. Este foi o movimento que lançou a campanha que incita os consumidores a perguntar às marcas #whomademyclothes (quem fez as minhas roupas) a propósito da Fashion Revolution Week deste ano.

Mariana tomou a sua decisão baseada nos seus princípios: não podia apoiar, através das suas compras, uma marca associada à escravidão moderna e que se alimentasse do trabalho de menores. E foi descobrindo outras questões: compraria roupa de uma marca que “tinge os rios na China ou na Índia, de tal forma que os moradores daquelas zonas sabem quais as cores da próxima estação apenas por olharem para o rio”? (Uma referência ao documentário River Blue, produzido por Roger Williams e Lisa Mazzotta). “Percebi de que não sabia de onde vinham as minhas roupas, por quais mãos tinham passado”, explica.

A isso chama-se “rastreabilidade”, um conceito que caracteriza a capacidade que temos ou não de acompanhar o percurso de um produto desde a produção ao transporte para o local de venda.

Para que se torne pública, esta informação tem de ser disponibilizada pelas marcas. Que tipo de químicas foram usadas nos tingimentos? Qual o tipo de agricultura em que foram criados os materiais naturais, como o algodão? Existe uma política de reutilização? São algumas das perguntas.

“Mas o nosso objetivo não é boicotar nenhuma marca”, ressalva Mariana Rodrigues. “O que nós queremos é que a indústria evolua e seja assertiva, para que também o consumidor possa ter o direito de exigir mudanças”.

Até breve!

 

 

 

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