Os principais momentos da moda em 2019

Os principais momentos da moda em 2019

O ano de 2019 foi dominado por falências de muitas marcas antigas, uma crescente preocupação com a sustentabilidade e a inclusão e algumas grandes aquisições.

Em JANEIRO, problemas na Dolce & Gabbana continuaram na China. A D&G perdeu um quarto das vendas na região Ásia-Pacífico devido a um vídeo publicitário considerado racista. O vídeo mostrava uma jovem chinesa tentando comer comida típica italiana, como uma pizza gigante ou um enorme cannolo siciliano, com hashi. Mais tarde, a Dolce & Gabbana emitiu um pedido de desculpas pelo vídeo, mas isso não silenciou os apelos de boicote na China.

Captura de tela do vídeo que os internautas chineses consideraram ofensivo – Reprodução

Algumas marcas clássicas alemãs enfrentaram dificuldades, como as empresas de moda Bree, René Lezard, Strenesse e Schuhpark Fascies com a insolvência em 2019. No entanto, a varejista de moda internacional Gerry Weber, que entrou com pedido de falência em janeiro, conseguiu sobreviver e foi comprada em julho pela Robus Capital e Whitebox, apesar de sua subsidiária Hallhubert ter sido vendida. A J.P. Morgan se juntou a elas em dezembro.

Em FEVEREIRO, a Gucci aprende uma lição de “blackface”. A Gucci, a locomotiva do grupo Kering, começou o ano mal com uma controvérsia relacionada a um suéter que parecia apresentar um design racista de “blackface”. Nas semanas seguintes, a Gucci nomeou Renée Tirado como diretor de diversidade e lançou um programa de inclusão dotado de um orçamento de 10 milhões de dólares.

Suéter da Gucci que gerou polêmica – Reprodução

Em MARÇO, Tom Ford assumiu a presidência do Council of Fashion Designers of America e entrou em ação imediatamente. Em um movimento ousado de inclusão, ele nomeou quatro novos membros para o seu Conselho – Carly Cushnie, Maria Cornejo, Kerby Jean-Raymond e Virgil Abloh. Em sua primeira temporada no comando, diversos estilistas mudaram seus desfiles de setembro de Manhattan para o Brooklyn – Tory Burch, Michael Kors e Pier Moss, enquanto Tommy Hilfiger se dirigiu para o norte do Harlem para se apresentar no lendário Apollo Theatre. Tom Ford, sempre independente, apresentou a sua própria coleção em Los Angeles, dois dias antes do Oscar.

Tom Ford – Reprodução

As Galeries Lafayette lançou sua “loja de departamentos do futuro na Champs-Elysées, em Paris. A loja de departamentos francesa inaugurou uma instalação de 6.500 m2 na famosa avenida parisiense, concebida como um laboratório de varejo de moda e projetada para atrair uma clientela internacional que busca o melhor do prêt-à-porter, acessórios de moda e produtos de beleza. Nenhuma viagem de compras está completa sem uma parada na nova GL da Champs.

Galeries Lafayette Champs Elysées – Reprodução

ABRIL foi muito movimentado para a Versace, com a conclusão de sua aquisição de 1,83 bilhão de euros pela Michael Kors, que passou a se chamar Capri Holdings. Nicolas Crespin começou a supervisionar a marca de luxo italiana em abril, embora seu experiente CEO Jonathan Ackroyd ainda seja muito ativo. A Versace também lançou uma linha de perfumaria premium e anunciou que suas coleções masculinas e femininas serão exibidas juntas em 2020. A marca também anunciou recentemente que Donatella irá apresentar sua coleção Cruise nos Estados Unidos na primavera.

Sonia Rykiel entrou em falência, mas empresários franceses compraram os direitos da marca. Depois de investir por muitos anos para relançar a marca parisiense, o proprietário First Heritage Brands finalmente jogou a toalha no início de 2019. Como não conseguiu encontrar um comprador, a empresa fundada pela designer Sonia Rykiel em 1968 entrou em falência. O tribunal colocou à venda os direitos da marca e, em 17 de dezembro, dois dos fundadores da Showroomprivé, os empresários franceses Eric e Michael Dayan, adquiriram os direitos da marca registrada para esse “nome icônico da moda francesa”. Os novos proprietários vão relançar a marca em 2020.

Grupos de luxo se mobilizam para ajudar Notre Dame. As imagens dramáticas da Catedral de Notre Dame em Paris sendo devoradas pelas chamas foram transmitidas pelo mundo todo, e o incêndio mobilizou os principais grupos de luxo franceses. LVMH, Kering, L’Oréal e as famílias proprietárias prometeram doações entre 100 e 200 milhões de euros para a reconstrução da catedral, provocando uma controvérsia  em relação às deduções fiscais relativamente modestas que eles podem reivindicar.

Incêndio na Notre Dame – Reprodução

Em MAIO, Rihanna coroada nova rainha da moda pela LVMH. Um mero boato no início do ano, o projeto “secreto” criado pelo grupo de luxo de Bernard Arnault com a cantora pop Rihanna foi finalmente revelado, com o lançamento da primeira coleção de prêt-à-porter e acessórios, Fenty, que se tornou uma nova sensação de luxo global imediatamente.

Rihanna no lançamento de sua marca Fenty com a LVMH – Reprodução

O renomado designer de moda alemão Wolfgang Joop fez um retorno impressionante ao se tornar diretor criativo da empresa especializada em camisas Van Laack. Em junho, as primeiras criações do estilista, que completou 75 anos este ano, foram exibidas na feira Premium, em Berlim, atraindo grandes multidões.

Em JUNHO, um adeus parisiense a Karl Lagerfeld. Diversos estilistas, editores, executivos e centenas de amigos disseram adeus a Karl em meados de junho em Paris, em uma homenagem única ao designer falecido em fevereiro. Com leituras e performances de Tilda Swinton, Cara Delevingne, Pharrell Williams e Fanny Ardant: algumas músicas de Lang Lang tocadas em um piano que Karl projetou, e uma mistura de vídeos de Lagerfeld com seus “bon mots”, lidas em diversos idiomas e aforismos polidos. Helen Mirren leu uma série de seus trocadilhos mais importantes, acompanhada pelo violinista Charlie Siem, antes da companheira favorita do grande costureiro – sua amada gata birmanesa Choupette percorrer desoladamente o palco da segunda casa de Karl, o Grand Palais.

Karl Lagerfeld’s memorial in Paris – Reprodução

Os protestos em massa pela democracia em Hong Kong afetaram gravemente as marcas de luxo no mercado local desde que eclodiram neste verão. Muitas marcas de luxo globais foram fechadas em Hong Kong, como Prada e Cartier. O tráfego de turistas caiu 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Praticamente todas as empresas de varejo locais sofreram queda nas vendas. Enquanto marcas que, mesmo inadvertidamente, apoiam o chamado pela liberdade política, foram punidas pelo partido comunista.

Protesto em Hong Kong – Reprodução

Em JULHO, um ano depois de firmar um acordo com a Kering para recomprar sua empresa, Stella McCartney surpreendeu o setor ao unir forças com sua rival – a outra gigante francesa de luxo, LVMH. A designer e empresária britânica conseguiu fortalecer sua empresa se mantendo a acionista majoritária, e assumiu o novo papel de “consultora pessoal” de Bernard Arnault em questões ambientais.

Stella McCartney – Reprodução

Em AGOSTO, a plataforma de compras de luxo Farfetch foi notícia quando anunciou que compraria o New Guards Group, que controla as marcas Off-White, Palm Angels, Heron Preston e County of Milan. A operação de 675 milhões de dólares, no entanto, claramente desagradou o fundador da Off-White, Virgil Abloh. Um mês depois do anúncio, ele não compareceu ao desfile da Off-White no Centre Pompidou em Paris. Aparentemente, Abloh não recebeu nenhum dinheiro porque o New Guards vendeu a licença da Off-White e não a marca. Oficialmente, Abloh anunciou que estava “desacelerando” por ordem médica.

Virgil Abloh – Reprodução

Depois de declarar sua segunda falência em 96 anos de história, a Barneys New York foi vendida para a Authentic Brands em novembro, marcando o fim de uma era de ouro no varejo. No entanto, quando a liquidação começou, a Authentic Brands anunciou que a flagship localizada na Madison Avenue permaneceria aberta por pelo menos mais um ano.

Liderada por François-Henri Pinault, em uma missão dada a ele por Emmanuel Macron, a Kering apresentou o pacto inovador em 26 de agosto na reunião do G7 realizada em Biarritz, França. Entre seus cerca de 30 signatários estão empresas como Chanel, Adidas e o grupo Mulliez. O objetivo do “Fashion Pact” é reduzir o impacto das indústrias da moda e do luxo no clima, na biodiversidade e nos oceanos.

Apresentação do Fashion Pact em Paris, no dia 23 de agosto. – Reprodução

Em SETEMBRO, Rihanna organizou facilmente o desfile mais importante da temporada de Nova York, mesmo que os celulares tenham sido notavelmente proibidos no evento na era do Instagram, mesmo levando os dois telefones de Suzy Menkes para longe. Uma reunião que durou 40 minutos, digna de um espetáculo da Broadway, com hip hop, arte performática, teatro de rua e um desfile de lingerie muito inclusivo com mulheres de várias raças e cores, formas e tamanhos. Realizado com exclusividade para a Amazon Prime, o evento catapultou Savage X Fenty para a estratosfera de lingerie. Passe para o lado Victoria’s Secret.

Show Savage x Fenty em Nova York, Setembro de 2019 – Reprodução

O designer Demna Gvasalia, nascido na Geórgia, anunciou sua saída da Vetements, a marca que ele criou com seu irmão Guram em 2014. O designer saiu dizendo que sentia que havia cumprido sua missão “de um design conceitual e inovador”. Depois de deixar a marca de Zurique, ele continuará com seu papel na Balenciaga, e tem um desfile marcado para sexta-feira, 17 de janeiro, na temporada da moda masculina de Paris, que será realizado por uma equipe criativa ainda desconhecida.

A política chinesa sempre foi uma questão delicada para as marcas, mas em 2019 a sensibilidade subiu para novos níveis. Em agosto, uma camiseta da Versace foi brutalmente criticada pela mídia chinesa. Por quê? Por sugerir acidentalmente que Hong Kong e Macau eram países separados da China. Resultado: a popular atriz Yang Mi encerrou seu contrato com a Versace. O mesmo “erro” também foi encontrado em uma camiseta da Coach pouco tempo depois. Com isso, a Tapestry, grupo que controla a Coach, demitiu seu CEO Victor Coach em setembro. Mas, isso não impediu a modelo chinesa Liu Wen, embaixadora da marca Coach, de cortar seus laços com a marca americana.

Alber Elbaz está de volta, ou quase. O admirado e aclamado designer da Lanvin tem um novo emprego à vista. Ele irá lançar um novo projeto em 2020, apoiado pela Richemont, o terceiro maior grupo de luxo do mundo. Até o momento não há muitos detalhes.

Alber Elbaz – Reprodução

A OTB de Renzo Rosso decidiu renovar o contrato com John Galliano como diretor criativo da Maison Margiela. Desde que ele ingressou na empresa em 2014, Galliano recebeu elogios da crítica por sua abordagem vanguardista de fazer da Margiela “a Maison de alta-costura mais cool”.  E os resultados comerciais também são motivadores: sob sua direção, a marca dobrou o faturamento.

Maison Margiela – outono-inverno 2019 – moda feminina – Paris – Reprodução

Em NOVEMBRO, a gigante francesa LVMH de artigos de luxo teve grande sucesso comprando a marca americana Tiffany de joias pelo valor recorde de 16 bilhões de dólares (aproximadamente 14,7 bilhões de euros). Esta foi a aquisição mais significativa da história da LVMH, que foi celebrada por Bernard Arnault, que disse: “um ícone americano se tornou um pouco francês”.

Tiffany.com – Reprodução

Depois que Les Wexner, CEO da empresa proprietária da Victoria’s Secret, L Brands, foi publicamente conectado ao agressor sexual Jeffrey Epstein, o desprezo pela marca de lingerie aumentou ainda mais. A marca já não estava em boa saúde quando o diretor de vendas da L Brands, Ed Razek, foi criticado por seus comentários controversos em relação aos transgêneros e modelos plus-size. Evidentemente, alguns CEOs não têm sensibilidade para o movimento #MeToo e empoderamento feminino. Para completar, este ano, a Victoria’s Secret cancelou seu mítico desfile após 24 anos de história.

Em 18 de novembro, o grupo americano de cosméticos Coty desembolsou 600 milhões de dólares para assumir o controle da Kylie Cosmetics, a marca de maquiagem fundada por Kylie Jenner. A Coty, que também proprietária dos perfumes das marcas Bourjois e Calvin Klein, adquiriu uma participação de 51% na empresa que, quatro anos após sua criação, foi avaliada em 1,2 bilhão de dólares, tornando Kylie Jenner a bilionária mais jovem do mundo.

Kylie Cosmetics – Reprodução

Desde 2009, o “Singles’ Day” (Dia dos Solteiros) da Alibaba/ Tmall se tornou um grande evento comercial. Muitos esqueceram a origem desta data de compras, mas as vendas vem batendo novos recordes a cada ano. Em novembro de 2019, com um crescimento de 26%, o Dia dos Solteiros registrou 268 bilhões de yuans – ou aproximadamente 34 bilhões de euros. Não é de se admirar que ele influencie tanto o comércio eletrônico, da JD.com à Amazon.

Em DEZEMBRO,a família real do Catar, proprietária de Valentino e Balmain, está reorganizando ambas as marcas. Em Paris, a Balmain viu seu CEO Massimo Piombini deixa-la pela Diesel e ser substituído por Jean-Jacques Guével. Enquanto em Roma, existem muitos boatos de que Jacopo Venturini substituirá Stefano Sassi. Além disso, a saída de seu diretor administrativo para mercados globais, Sebastian Suhl, já foi anunciada para janeiro.

Valentino – primavera-verão 2020 – Alta-Costura – Reprodução

As lojas de departamentos Galeria Karstadt e Kaufhof ganharam um novo nome e um novo logotipo, depois que HBC e Signa concluíram sua fusão. Em junho, a austríaca Signa se tornou a única proprietária, enquanto a fusão legal de ambas as empresas ocorreu em novembro. Em dezembro, a companhia adquiriu a varejista esportiva SportScheck do Grupo Otto, em um esforço para se expandir ainda mais esse segmento.

A Rainha da Inglaterra pareceu resplandecente no novo parlamento, mas a ideia do Brexit não é tão bem-vinda na comunidade da moda. Qual o custo do Brexit para a moda até o momento? Certamente milhões, talvez até bilhões. É difícil mensurar porque o Brexit ainda não aconteceu. Sim, a queda da libra fez os turistas aumentarem os gastos com luxo, mas prejudicou as exportações. No entanto, o maior custo foi a perda de vendas para consumidores cautelosos e três anos de empresas controlando os planos de investimento. Ainda é esperado um êxodo de estudantes europeus das famosas faculdades de moda de Londres, uma vez que as taxas serão dobradas. Uma fuga de grandes profissionais da moda também deverá acontecer praticamente da noite para o dia.

Photo: Shutterstock.com

Desejo um 2020 repleto de energias e realizações positivas.

Grande abraço e até breve!

Fonte: FashionNetwork.com. Todos os direitos reservados.

 

 

 

 

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