Mais que Evento, mais que Moda foi o SPFWN48

Mais que Evento, mais que Moda foi o SPFWN48

A Semana de Moda de São Paulo trouxe um olhar que foi além das passarelas, com uma construção para o longo prazo, promoveu discussões e novos modos de criar e fazer moda.

Um visionário à frente de seu tempo, Paulo Borges iniciou a São Paulo Fashion Week há 24 anos. O evento mantém seu status de semana da moda mais importante do Hemisfério Sul há mais de duas décadas.

Apesar dos escândalos políticos e dos desafios econômicos, o SPFW se tornou uma ferramenta para manter o sistema vivo.

A economia do Brasil, antes considerada uma importante economia emergente pelo Goldman Sachs, acabou de emergir de uma recessão de quatro anos, e sua taxa de desemprego está pairando em 12%. De acordo com o estudo setorial mais recente, a indústria têxtil e de vestuário perdeu mais de 2.000 empregos mensalmente entre o período de janeiro a outubro de 2018.

A produção industrial de vestuário brasileiro caiu 3,7%, enquanto os têxteis caíram 1,6% no mesmo período. As exportações caíram quase dois por cento, superando as importações que subiram quase seis por cento entre janeiro e novembro de 2018.

Em tempos difíceis, a moda e os estilistas brasileiros também perseveraram. “Estamos acreditando, mesmo quando as pessoas não acreditam”, acrescentou Borges.

“Vivemos um Brasil dos contratempos, e a moda mais uma vez mostra que está avançando e quebrando qualquer preconceito ou regras antiquadas. Nesta temporada, estou surpreso com a apresentação dos novos estilistas do Projeto Estufa. Moda com uma mensagem retratando o comportamento da nova geração de nosso país”, disse Pedro Sales, diretor de moda da Vogue brasileira.

“O São Paulo Fashion Week celebrou a potência da criação como expressão viva e afetiva das pessoas em sintonia com o tempo presente” afirmou Paulo Borges, diretor criativo do SPFW.

Além dos desfiles, o evento contou com uma série de outras atividades como talks e palestras, exposição, oficinas e shows, como o Projeto Estufa – uma iniciativa do SPFW em parceria com o IN-MOD (Instituto Nacional de Moda e Design), que tem como objetivo promover debates e coordenar movimentos que estão acontecendo em todo o mercado, estão ligadas a áreas em que criatividade e inovação são elementos-chave para o negócio.

É uma plataforma para revelar e apresentar novas maneiras de criar, distribuir e produzir, impulsionando cinco novos designers que apresentaram suas coleções. As discussões do painel também promoveram o diálogo sobre comportamento e influências.

 

 

Pela primeira vez em uma semana de moda, os desfiles do Projeto Estufa foram traduzidos em libras e tiveram áudio-descrição fazendo com que fossem acessíveis às pessoas com deficiência auditiva e visual, além da acessibilidade arquitetônica. Este projeto pioneiro foi desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) e teve como comentaristas as jornalistas de moda Lilian Pacce, Erika Palomino além do consultor de tendências Dario Caldas.

Estruturado em três pilares – inovação e tecnologia, comportamento e criatividade, todos permeados pelo olhar da sustentabilidade – chamou a atenção pela quantidade de bons profissionais que discutiram temas da atualidade. Destaque para a participação da jovem estilista britânica Bethany Williams na Masterclass “Moda Inspirando Mudança Positiva”.

Vencedora do Prêmio Queen Elizabeth II e finalista do Prêmio LVMH 2019, Williams falou sobre os desafios de criar uma marca de moda consciente e apresentou seu trabalho que combina práticas ambientais e sociais em busca de soluções de design sustentável para os grandes desafios do planeta.

Este ano, o Projeto Estufa trouxe Roberto Martini, um dos profissionais mais visionários e inovadores da indústria criativa brasileira, como inspirador da edição. Ele também foi o idealizador da exposição “HumanX- Todas as Perspectivas são Realidades Alternativas” que aconteceu dentro do Pavilhão, durante o SPFW N48.

A exposição foi um ensaio sobre as novas realidades sobrepostas que nos desafiam a interpretar o conceito do que é real, do que é verdadeiro e do que é humano. O espaço de instalação foi dividido em duas etapas: ‘Galeria’, área de preparo e imersão de conteúdo sobre a obra e ‘Segundo Ato’ que uniu os conceitos de galeria e de uma experiência participativa.

Entrando na área, uma passarela se estende para a caminhada, nas laterais eram posicionados estrategicamente 6 pessoas virtuais que só se tornavam visíveis através dos óculos de realidade mista. Elas estavam presentes no mesmo espaço, não interagiam, mas ali estavam vivas, respirando, coexistindo com o público em uma camada sobreposta da realidade.

Ao caminhar pela passarela, o público entrava em contato com o real através do digital. Observando essas pessoas, o cérebro imediatamente o reconhece como uma possível verdade, no entanto eles são imateriais.

O público também conferiu os espaços da Sherwin Willians, onde participaram de oficinas de customização de roupas com o spray Colorgim e, ganharam camisetas e bonés.

A Chilli Beans levou ao evento alguns de seus óculos para um espaço super descolado onde os convidados podiam tirar fotos e experimentar os modelos. A Truss, marca de cosméticos, ofereceu um produto aos visitantes e com um espaço para doação de cabelo para o projeto Cabelegria.

Já o Santander que vem contribuindo com toda a cadeia produtiva da moda, desde costureiras, modistas, estilistas, até as grandes marcas da indústria e comércios de vendas de roupas, calçados e acessórios, esteve com um stand no local. E no Farol Santander – o centro de empreendedorismo, cultura e lazer – houve uma agenda regular de encontros e debates com personalidades do setor e foi aberto ao público.

O interesse internacional em moda está diretamente ligado a questões econômicas. Os organizadores do SPFW enfrentam o desafio de expandir as possibilidades para jovens designers, facilitando sua trajetória criativa e seu progresso em direção à inovação – elementos-chave para o negócio.

“A dificuldade de uma marca brasileira se posicionar internacionalmente, em termos de distribuição de produtos, preço e competitividade, impede a capacidade de um produto brasileiro se espalhar internacionalmente. Dito isto, que informações estamos apresentando ao mundo agora? já desempenhou o seu papel. Chegou aqui, disse que existimos, mostrou quem somos … e? Qual é o próximo passo? Depende de como o ecossistema integrado pode funcionar ”, afirmou Borges.

Os dois recém-chegados desta temporada são designers africanos brasileiros, Angela Brito e Isaac Silva. Que interpretaram suas raízes africanas de maneiras distintas, trazendo em seus discursos a pluralidade e a liberdade através da moda, com muita sensibilidade. “É exatamente esta riqueza de criações e visões que buscamos na curadoria de marcas quando pensamos no evento”, comenta Borges

Ao todo, foram 26 marcas lançando suas coleções nesta temporada.

Grande abraço e até breve!

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