Made in Blangadesh

Made in Blangadesh

Mulheres impulsionam mudanças em um filme sobre trabalhadores têxteis em Bangladesh.

Um novo filme que mostra a vida dos trabalhadores têxteis em Bangladesh desafia os estereótipos sobre as mulheres e retrata-as como impulsionadoras da economia e como lutadoras pela justiça nas fábricas.

“Made in Bangladesh” é baseado na vida de Daliya Akter, uma trabalhadora têxtil que escapou de um casamento combinado quando criança e ingressou num sindicato que luta pelos direitos dos trabalhadores na capital do país, Dhaka.

A história de Akter, que luta para garantir o salário dos seus colegas de trabalho, apesar da preocupação do seu marido e das ameaças dos seus chefes, põe em destaque o triunfo feminino sobre a adversidade no conservador país, o segundo maior exportador de roupa do mundo.

Quase 80% das 4 milhões de pessoas que trabalham no setor que produz roupa para empresas como H&M e NEXT são mulheres que trabalham longas horas por um salário mínimo.

Mesmo assim, persistem estereótipos que refletem as trabalhadoras como passivas e impotentes.

“Existe um discurso generalizado de que os trabalhadores têxteis são sempre oprimidos. Mas, enquanto trabalhava no filme, percebi que estas mulheres lutam muito e têm muito poder”, disse a diretora Rubaiyat Hossain à Thomson Reuters Foundation por telefone.

“É preciso ouvir estas trabalhadoras. Graças a elas, a nossa economia está melhorando e temos que reconhecer o seu trabalho”, acrescentou.

A indústria de confecção de Bangladesh foi pressionada a melhorar as condições das fábricas e os direitos dos trabalhadores, especialmente após o colapso do complexo Rana Plaza em Bangladesh, há mais de seis anos, no qual 1136 trabalhadores têxteis perderam a vida.

O desastre trouxe um número maior de inspeções nas fábricas, o encerramento de dezenas de fábricas consideradas inseguras e as reformas trabalhistas do governo.

Mas, os baixos salários e o declínio no número de líderes sindicais continuam a serem os principais desafios.

“Made in Bangladesh” estreou em 6 de dezembro nos Estados Unidos e Akter, interpretada pela atriz Rikita Shimu, que disse esperar que o filme incentive os trabalhadores da confecção a levantarem a voz quando for exibido em Bangladesh em 2020.

“Atualmente, existem muito mais sindicatos do que em 2013, mas ainda há trabalhadores com medo de expressar as suas preocupações e o filme irá ajudá-los”, disse a trabalhadora.

Akter começou a colaborar com a famosa cineasta Rubaiyat Hossain em 2016, após a fábrica na qual trabalhava fechar as portas devido à perda de contratos internacionais.

Mais tarde, Akter juntou-se aos milhares de trabalhadores de Bangladesh que viajam todos os anos para o Médio Oriente em busca de trabalho, chegando à cidade portuária de Aqaba, na Jordânia, em 2018, para trabalhar como operadora de máquinas numa fábrica de calças e saias.

No entanto, regressou para Bangladesh meses depois, após adoecer.

Akter quer continuar a lutar pelos direitos dos trabalhadores. “Não sei quanto tempo vou viver, mas sei que lutarei pelos direitos dos trabalhadores até o meu último suspiro.”

Grande abraço e até breve!

Fonte: Thomson Reuters 2019 Todos os direitos reservados.

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